Aumenta número de casos de Aids entre jovens de 15 a 24 anos

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Qual a principal explicação para este crescimento?
Acredito que essa é uma pergunta que tem uma resposta complexa. De fato, é transar sem camisinha que acaba fazendo o HIV se transmitir por via sexual, mas não podemos simplesmente culpar quem realiza essa prática, e sim, compreender todos os fatores que acabam levando uma pessoa a ter relações desprotegidas. Os jovens de hoje estão pegando mais HIV que os jovens de 20 anos atrás porque eles são os jovens de hoje e não os de duas décadas atrás. São jovens que vivem num mundo diferente e interagem entre si, seguindo seus códigos, de maneira diferente do que faziam 20 anos atrás. O HIV é um dos aspectos dessa transformação, mas existem outros, como data de início da vida sexual, frequência de gravidez na adolescência, liberdade sexual, etc. Somado a isso, existe o fato de eles terem nascido quando o HIV já havia tratamento que mantinha a saúde de uma pessoa que vive com o vírus, o que fez com que o número de mortes caísse enormemente. Isso realmente faz com que as pessoas tenham menos medo do HIV, mas quando olhamos para a história da epidemia, vemos que o medo também não funcionou como estratégia de controle, então muito provavelmente, se os jovens de hoje vissem seus ídolos morrerem de Aids, ainda assim, haveria um aumento no número de casos entre eles.

Os jovens de hoje acreditam que a doença está controlada? Que ela tem cura?
Talvez. Mas eles não enxergam a infecção por HIV como um abismo de mortes.

Quais são os efeitos do coquetel de drogas na vida do portador?
Atualmente, praticamente nenhum. Uma pequena parte das pessoas em terapia antirretroviral pode apresentar uma alteração renal causada pelo antirretroviral, que é reversível, quando trocado o esquema usado.

A pessoa infectada será um transmissor pelo resto da vida? Precisará sempre usar camisinha?
Hoje se sabe que a camisinha não é a única estratégia de prevenção do HIV. Sabe-se também que uma pessoa que se trata corretamente e mantem sua carga viral indetectável no sangue não é capaz de transmitir seu vírus numa relação sexual desprotegida. Sabe-se ainda que o uso de antirretrovirais por pessoas soronegativas pode também protegê-las, seja depois de uma exposição de risco (Profilaxia Pós Exposição), ou seja, diariamente (Profilaxia Pré Exposição).

Como funciona o tratamento Profilaxia Pós Exposição? Quais os riscos de ser administrado frequentemente?
Profilaxia Pós Exposição (PEP) é uma estratégia de prevenção contra o HIV que utiliza o uso de um esquema antirretroviral por uma pessoa soronegativa, que se expôs a uma situação com risco de infecção pelo vírus. Ela deve ser iniciada em até 72h da exposição e tomada por 28 dias. Funciona muito bem tanto para exposições sexuais, quanto para acidentes com material biológico (como por exemplo, uma enfermeira que se fura com uma agulha com sangue ou um cirurgião que se machucou numa cirurgia de uma pessoa que vive com HIV). Não há problema em usar a estratégia de maneira repetida, tanto que se as exposições de risco são frequentes, recomenda-se a Profilaxia Pré Exposição (PrEP), que consiste no uso diário de antirretrovirais como estratégia de prevenção contra o HIV.

O que precisa ser feito para alertar os jovens do dia de hoje sobre o risco de contaminação?
A prevenção contra o HIV precisa entrar no contexto de vida de cada pessoa. E dessa maneira a tentativa de impor o que deve ser feito, como por exemplo, “use camisinha”, não tem funcionado para todas as pessoas, o que permite que a epidemia continue crescendo.

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